Redes Sociais, Tecnologia e Saude Mental
- Wander Alves

- 27 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
Impacto das Redes Sociais na Saúde Mental e na Psicanálise:
O Que Precisamos Saber
Pensando na aula de hoje para os alunos dos módulos de especialização, resolvi compartilhar com vocês um conteúdo que aborda de maneira aprofundada o impacto das redes sociais na saúde mental e como as interações digitais afetam a psicanálise.
É um tema extremamente relevante para todos nós que lidamos com questões emocionais e psíquicas durante os atendimentos.
Além disso, temos um livro que explora esse assunto de forma ainda mais detalhada, Conectados & Sozinhos - A Psicanálise por Trás da Solidão nas Redes Sociais, escrito por mim, e todos podem ter acesso a ele gratuitamente!
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O Impacto das Redes Sociais na Saúde Mental
As redes sociais tornaram-se uma parte central da vida das pessoas, mas, embora ofereçam a ilusão de conexão, também têm trazido consequências negativas para a saúde mental. Entre os efeitos mais comuns, podemos destacar:
Comparação Social: Estamos constantemente nos comparando com os outros, criando padrões irreais de perfeição e afetando diretamente nossa autoestima (Fardouly et al., 2015). A comparação social constante nas plataformas digitais pode gerar uma percepção distorcida de realidade.
Solidão e Isolamento Emocional: As redes sociais oferecem a sensação de conexão, mas, na prática, podem causar isolamento emocional. Muitas vezes, as interações virtuais são mais superficiais, o que leva ao afastamento de relações mais genuínas e profundas (Primack et al., 2017).
Busca por Validação: A necessidade constante de aprovação nas redes sociais, por meio de curtidas e comentários, afeta nossa visão de nós mesmos e nossas interações com o mundo ao nosso redor (Kuss & Griffiths, 2017).
Como Identificar Esses Efeitos Durante o Atendimento Psicanalítico
No setting psicanalítico, estamos cada vez mais lidando com pacientes que apresentam angústias diretamente relacionadas às suas interações nas redes sociais. Ao atender, fique atento às seguintes questões:
A Idealização do Eu e as Relações Virtuais: Muitos pacientes projetam uma versão idealizada de si mesmos nas redes sociais, o que pode causar uma enorme desconexão entre a imagem que eles apresentam ao mundo e a realidade emocional interna (Greenwood et al., 2018).
Solidão Digital: O tempo gasto nas plataformas pode gerar uma sensação de desconexão e solidão profunda, mesmo quando cercados por milhares de “amigos” virtuais (Turkle, 2011).
Comportamentos de Busca por Aceitação: Quando o paciente busca incessantemente validação em números – seja nas curtidas, nas mensagens ou no número de seguidores – ele acaba substituindo relações significativas por interações superficiais.
Estratégias Psicanalíticas para Superar os Efeitos das Redes Sociais
Durante o atendimento, é possível aplicar diversas estratégias para ajudar o paciente a lidar com os efeitos negativos da dependência das redes sociais:
Aprofundamento do Autoconhecimento: Ajude o paciente a refletir sobre o que ele realmente está buscando nas redes sociais e como isso afeta sua autoimagem e as relações com os outros.
Redefinindo as Relações Pessoais: Incentive o paciente a buscar a autenticidade nas relações fora do ambiente digital. Relações genuínas, sem a pressão do “like” e da aprovação pública, são fundamentais para recuperar a saúde emocional.
Trabalhando a Desconexão com os Feedbacks Externos: Durante o atendimento, aprofunde-se nas questões relacionadas à aprovação e ao ego virtual. Isso pode ser explorado como uma forma de lidar com a insegurança e a ansiedade constante em busca de aceitação (Stern, 2004).
O Papel da Psicanálise no Combate à Solidão Digital
A psicanálise oferece valiosas ferramentas para ajudar o paciente a resgatar uma conexão genuína consigo mesmo e com os outros. Ela permite que o paciente se desfaça das mascaradas digitais e crie laços mais autênticos e duradouros, fundamentais para o bem-estar emocional e psicológico.
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Referências:
Fardouly, J., Diedrichs, P. C., Vartanian, L. R., & Halliwell, E. (2015). Social comparisons on social media: The impact of Facebook on young women's body image concerns and mood. Body Image, 13, 38–45.
Greenwood, D. N., Long, C. L., & Lippman, W. L. (2018). Social Comparison, Self-Esteem, and Media. Journal of Social & Clinical Psychology.
Kuss, D. J., & Griffiths, M. D. (2017). Social Networking Sites and Addiction: Ten Lessons Learned. International Journal of Environmental Research and Public Health.
Primack, B. A., Shensa, A., Sidani, J. E., Whaite, E. O., Lin, L., Rosen, D., Radovic, A., Colditz, J. B., & Colditz, D. (2017). Social media use and perceived social isolation among young adults in the U.S. American Journal of Preventive Medicine, 53(1), 1–8.
Stern, D. N. (2004). The Present Moment in Psychotherapy and Everyday Life. W.W. Norton & Company.
Turkle, S. (2011). Alone Together: Why We Expect More from Technology and Less from Each Other. Basic Books.





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